terça-feira, 1 de junho de 2010

Palavras perdidas

Agora que você está lendo este blog o título desta postagem perdeu o sentido, porém minha missão está sendo cumprida, mais uma vez e mais um pouco estou compartilhando contigo meu conhecimento.

domingo, 21 de março de 2010

Interpretação literal




Quando as portas da percepção forem abertas, o homem verá as coisas como realmente são: infinitas!

Foi inspirados nessas palavras do poeta William Blake que a banda californiana The Doors escolheu seu nome. Muito apropriado devido ao clima místico, de descobertas e de libertação dos anos sessenta, mas os produtores do programa de Ed Sullivan parecem não ter interpretado bem significado do nome do grupo de rock, pois decoraram o palco com diversas portas. Se atentassem melhor para a idéia de Blake, e das letras da banda sacariam que seria mais apropriado colocar apenas batentes, representando as portas da percepção abertas, assim como o poeta inglês escreveu em seus versos. Concordam!?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Uma noite de verão, um momento na noite dos tempos...





Era uma noite quente de verão, em uma festa eu estava com uma garota maravilhosa. Ela dançava linda para mim, me sorria e me beijava sem parar, Me fez lembrar de um poema de Catulo. Os versos do poeta romano que não saíam de minha cabeça enquanto ela me beijava eram estes:

(...)
Os sóis podem morrer e renascer,
Nós, uma vez que morre a breve luz,
Uma só noite eterna dormiremos.
Me dá mil beijos, em seguida, cem,
(...)

A efemeridade da vida diante da eternidade dos tempos, ou ainda, a efemeridade de um momento diante da duração de uma vida é algo que sempre me deixa absorto. Talvez eu e ela nos esqueçamos desse momento, talvez o manteremos em nossa memória até nosso fim, não sei. Mas mesmo quando a noite perpétua encobrir nossa existência e a breve luz daqueles beijos se apagarem na eternidade dos tempos eles terão existido, mesmo que tenham sido esquecidos...
Pense nisso quando tiver uns lábios doces e quentes colados aos teus assim como tive os dela aos meus.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

NÓS SOMOS BONZINHOS, ELES SÃO MALVADOS




Faz algum tempo que queria escrever algumas constatações sobre o filme Pearl Harbor, aquele com uma história de amor marcada pelo ataque japonês contra uma base americano no Havaí durante a Segunda Guerra. Bom, vou fazer isso agora.
Na verdade há muitos aspectos a abordar, mas ficarei apenas em dois daqueles que fundamentam o título deste pequeno artigo. Nesse sentido uma das cenas que chama a atenção para a dicotomia bonzinhos/malvados, no caso do filme americanos/japoneses é aquela onde uma garotinha corre e brinca usando asas de borboletas momentos antes do início do ataque. Neste caso o diretor forçou a barra usando a imagem angelical e inocente da criança para acentuar a brutalidade do bombardeio nipônico. Apesar da tentativa, não dá para esquecer que Pearl Harbor era uma base militar e que foram os americanos que lançaram bombas atômicas sobre duas cidades indefesas quando a sorte da guerra já estava decidida.
Outro ponto mais sutil emerge de um romance paralelo ao principal. O que chama atenção neste caso é que o casal não é nada comum: o cara mais estranho do grupo de pilotos, gago se não me engano, o perfeito estereótipo do perdedor tão explorado no cinema norte-americano conquista não se sabe como a mais bela do grupo de enfermeiras, enfim uma loira muito linda. O que se quer mostrar aí é que no país das maravilhas da América do Norte até o maior idiota pode conseguir a garota perfeita, mas no filme os malvados japoneses, com seu ataque covarde, destroem esse castelo de sonhos, pois sob o bombardeio a linda enfermeira morre deixando seu quase feliz namorado só.
O interessante é a indagação que fica: até que ponto a ideologia pregada no filme, a da dicotomia bonzinhos/malvados, reflete o pensamento do americano a respeito de si mesmo ou se na verdade reflete um anseio por essa imagem fornecida pelo filme para deixá-lo de bem consigo mesmo?
Na próxima falarei sobre o triângulo amoroso do filme, uma observação divertida, aguardem...

domingo, 20 de dezembro de 2009

O temor da Guerra Fria em O planeta dos macacos

O filme em questão, por meio de sua metáfora ficcional, apresenta-se como uma crítica aguda à corrida armamentista que dominou praticamente toda a segunda metade do século XX, e que colocou o planeta a poucos passos de uma hecatombe nuclear global. Os principais agentes desta corrida foram a extinta União Soviética e os Estados Unidos. Mas o filme não aborda literalmente este momento de tensão bipolar que quase nos levou a destruição completa, ele aborda na verdade um hipotético momento futuro após um holocausto atômico, que a realidade tornara extremamente possível e real. Neste ponto precisamos abrir parênteses: dissemos acima que O planeta dos macacos faz uma crítica à corrida armamentista, no entanto temos plena consciência de que a obra traz, além disso, em seu conjunto uma grande variedade de metáforas criticando diversos aspectos do comportamento humano da época em que foi produzido e por que não de todos os tempos? Mas se vamos abordar neste artigo apenas uma de suas vertentes críticas, aquela dirigida contra a ameaça nuclear que o mundo sofreu, é devido ao caráter extremamente breve deste trabalho.
O nosso recorte tem uma razão, ele foi feito para acompanhar o direcionamento que os próprios produtores do filme estabeleceram quando adaptaram o romance La planète des singes do escritor francês Pierre Boulle para o cinema. A história do livro conta sobre uma equipe de exploradores que sai da Terra e encontra, orbitando a distante estrela Betelgeuse, um estranho planeta onde uma civilização composta de chimpanzés, orangotangos e gorilas dispõe, para pesquisas científicas ou como animais de estimação, de uma raça primitiva de seres humanos. Este enredo na verdade é o mesmo do filme de Franklin J. Schaffner, o que vai diferenciar a versão cinematográfica da literária é o desfecho apresentado. Nas últimas páginas do livro o leitor descobre que naquele planeta o homem outrora fora a raça dominante, época na qual cabiam aos macacos os papéis que no momento da narrativa os humanos desempenhavam, depois desta revelação descobre-se que aquela humanidade perdeu sua posição devido a um lento, porém contínuo, processo de indolência e estagnação que a levou inevitavelmente a ser subjugada pela população símia local. No filme este processo ainda é semelhante, porém sua causa difere, foi desencadeado por uma devastação extrema provocada por sua vez por uma guerra nuclear, somando-se a isso o dado mais alarmante é a descoberta de que aquele estranho planeta é na verdade a Terra, fato revelado quando o personagem Taylor depara-se com as ruínas semi-soterradas da Estátua da Liberdade, uma das cenas de maior impacto de toda a história do cinema. Enfim, é a esta diferença que se deve nosso recorte.
Assim como a cena final, o filme tem muitas outras impactantes, tais como humanos sendo caçados como animais selvagens pelos macacos e aprisionados em jaulas. Mas deixaremos as cenas de lado, mostraremos neste artigo a tensão da Guerra Fria transposta da realidade para a película por meio de algumas das frases de maior impacto do filme. Para isso destacamos onze frases, das quais nove são proferidas pelo personagem Taylor, interpretado pelo famoso ator Charlton Heston, que já havia trabalhado em grandes filmes de Hollywood tais como O senhor da guerra, Os dez mandamentos e Ben-Hur, com este último inclusive, ganhara o Oscar de melhor ator. A posição que Heston ocupava em Hollywood e por extensão na memória dos espectadores de cinema explica sua escolha como protagonista aumentado a empatia com o público ao ouvi-lo proferindo suas falas que expressavam esperança, angústia, dúvida, resignação, otimismo e tristeza. Neste ponto em que ressaltamos a importância da escolha do ator para desempenhar o papel principal do filme levamos em conta que para

Desvelar o processo de construção fílmica implica uma complexa análise de dados que vão desde a produção industrial do filme – em toda aquela série de dados cinematográficos essenciais para subsidiar a compreensão dos conteúdos latentes do filme -, até a compreensão de como a história (isto é, os dados históricos, com todo o seu rol de significações) é construída no interior da narrativa fílmica. (SALIBA, 1993, p. 95).

As outras duas frases, das escolhidas, que não foram proferidas pelo personagem Taylor o são pelo personagem Dr. Zaius, interpretado pelo ator Maurice Evans. Dr. Zaius é um orangotango, o Ministro da Ciência e Defensor da Fé, o antagonista de Taylor, que o ironiza apontando a contradição entre suas ocupações. De nossa parte vamos mostrar a contradição do antagonismo entre Taylor e Dr. Zaius, é que ambos os personagens são duas faces da mesma moeda. Parece-nos que na ficção científica a humanidade não deve ser vista apenas nos personagens humanos, ela deve ser enxergada com seus aspectos bons ou maus nos personagens estranhos e diferentes, no nosso caso Dr. Zaius, representante do dogmatismo, repressor que, exatamente por causa dessas características teme o desconhecido e procura com seus atos proteger-se dele. Taylor, devido à situação em que se vê aprisionado por uma civilização estranha, coloca ao lado de seu sarcasmo uma busca desesperada por uma resposta para sua condição. Como dissemos, duas faces da mesma moeda, o medo e o fascínio pelo desconhecido presente em todos nós diluído e divido entre Taylor e Dr. Zaius. Mas para ilustrar o que foi dito o melhor é fazer o que propomos: usar as falas para confirmar as características dos personagens principais e demonstrar como através delas transparece a preocupação e o medo da catástrofe nuclear que ameaçava a humanidade.
Ainda dentro da nave espacial o personagem Taylor, solitário enquanto os demais tripulantes estão imersos em um sono profundo dentro de câmaras individuais, profere três frases:
Taylor - Você que me ouve agora, é de uma geração diferente, espero que de uma melhor.

Taylor - Sinto-me sozinho.

Taylor - Será que o homem, esta maravilha do universo, este glorioso paradoxo que me mandou às estrelas ainda faz guerra com os irmãos?

Taylor, no momento em que profere as frases citadas acima, está fazendo uma espécie de relatório, não para aqueles que o enviaram na atual missão, pois a temporalidade do filme é dinamizada com o auxílio da Teoria da Relatividade de Einstein, segundo a qual o tempo passa mais lento para quem viaja em velocidades próximas a da luz, no caso Taylor e os demais tripulantes da nave, e transcorre normalmente para quem permanece parado na Terra, no caso aqueles que enviaram Taylor e os outros em sua viajem. Pelas contas do computador a viajem durara até então alguns meses enquanto que pelo tempo da terra ele estaria no espaço já a centenas de anos, de maneira que aqueles homens que o enviaram na missão já haviam desaparecido. Portanto o relatório gravado por Taylor fatalmente seria destinado à outra geração. E é nessa geração que Taylor deposita suas esperanças, pois em sua frase está a pressuposição de que a geração da Terra que ele deixou quando se lançou em sua viajem não era a ideal. Nesse ponto a crítica à sociedade da época em que o filme foi produzido fica evidente e clara, pois na década de sessenta Estados Unidos e União Soviética estavam envolvidos na corrida espacial e a viajem do astronauta Taylor recria exatamente a mesma situação, o que direciona ainda mais crítica para a disputa entre esses dois países que polarizavam a Guerra Fria.
A segunda frase citada é mais introspectiva, Taylor está arrebatado pela imensidão do espaço e a sensação de solidão o oprime. Essa situação deve ser enxergada como uma metáfora onde a imensidade do espaço significa na verdade a imensidão profunda do interior humano onde cada um mergulha em busca de resposta para sua existência, onde cada um percebe que dentro de si se está sempre só. Está atitude introspectiva é sempre buscada nos momentos de crise pessoal e social, foi o que aconteceu durante a Guerra Fria, quando pairava a ameaça nuclear, tanto a existência social quanto pessoal estavam em perigo e diante disso o indivíduo se via impotente. Nessa situação a angústia era muito grande, e como o ser humano nem sempre é capaz de dividir seus medos se sentimentos com seus semelhantes sua angústia é multiplicada na solidão em que ele ao mesmo tempo se vê e se coloca.
Na terceira frase é expressa a ironia da situação do homem, capaz ou mesmo tempo de maravilhas e de misérias. Há nela também um apelo para que se enxergue a humanidade de uma maneira universal, isso fica claro com a escolha da palavra irmãos, que chama a atenção para o fato de que todos fazem parte de uma mesma “família”, o que dá ainda mais força à idéia de igualdade unindo a ela a idéia de fraternidade. Há também o desafio à humanidade, pois o ainda revela a idéia de atraso atribuído à guerra, para que ela melhore, evolua em direção a um estágio superior.
A seqüência seguinte do filme mostra a queda da nave de Taylor em um planeta desconhecido, a cena marca um deslocamento do tom de esperança presente nas frases que analisamos acima para uma atitude de resignação que apesar disso encerra uma responsabilidade, uma necessidade de melhora que nesse sentido busca ainda manter a esperança na humanidade, vejamos:

Taylor - Ok, estamos aqui para ficar.

Taylor - Só há uma realidade, nós estamos aqui e agora, você aceite isso ou é melhor estar morto.

A primeira frase citada foi dita por Taylor enquanto ele e seus companheiros viam sua nave afundar levando consigo a esperança de retorno para o mundo de onde vieram. Essa situação assinala o paradoxo temporal e espacial do filme, pois o estranho planeta em que caíram, embora ainda não saibam, é a Terra em uma época diferente. E quando Taylor deixa claro, diante a impossibilidade de retorno, que deveriam ali ficar, ele traz em suas palavras uma idéia de queda, de rebaixamento do ideal para o real. O ideal que está presente na imaginação de todos nós na forma da esperança dá lugar bruscamente à fria realidade da qual se busca fugir e se defender, mas a qual todos, ao mesmo tempo, devem aceitar resignadamente. Mas se a realidade é para ser aceita não é simplesmente para ser mantida, nesse sentido a frase de Taylor também impõe a necessidade de melhorar o mundo em que fatalmente estamos condicionados a viver. A segunda frase reforça ainda o que foi dito acima, e o faz melhor quando nela é oferecida a opção sinistra da morte em lugar da aceitação da realidade. As duas frases calham bem com a argumentação que propomos, pois esse chamado para a realidade em detrimento do ideal significa, na vida real, que a humanidade deveria enxergar de fato a situação em que estava e, enxergando-a, tomar consciência da emergência de mudar a perigosa situação em que se encontravam.
A próxima frase que escolhemos aponta para a descrença no ser humano, para sua fraqueza e para o absurdo de sua possível existência exclusiva no universo:

Taylor- Eu acredito que em algum lugar do universo haja alguém melhor que o homem, tem que haver.

A frase demonstra agora a total desilusão de Taylor para com o gênero humano, entretanto ele, de certa forma, ainda tem esperança de encontrar algo melhor, mas o homem já está descartado de suas expectativas. Esse posicionamento quase místico de Taylor também aponta para a realidade, exatamente para a realidade de um mundo em crise, onde as possibilidades materiais se esgotam e o homem apela para a busca do desconhecido que seria capaz de salvar e de redimir os erros humanos. Mas esse momento não passa de um arroubo que logo se dissipa, sentimos isso nas próximas palavras destacadas de Taylor:

Taylor - Veja pelo lado bom, se isto é o melhor que eles têm por aqui, em seis meses estaremos governando o planeta.

Isso é dito por Taylor aos seus companheiros quando se deparam com um grupo de humanos primitivos do estranho planeta. A atitude que emerge de seu discurso nesse momento é de pura arrogância, que pode ser comparada a dos europeus frente aos nativos da América ou da África, mas além dessa possibilidade desponta também a ânsia de poder presente em cada ser humano, e por extensão em cada nação, sobretudo naquelas em conflito. Ânsia de poder e de domínio sobre o inimigo que a despeito disso é igual. E é baseado nessa igualdade que a cena seguinte terá maior impacto: de repente os humanos selvagens pressentem perigo no ar, ouvem um grito aterrorizante na selva e se põem a fugir enlouquecidos, Taylor e seus companheiros estupefatos a princípio não sabem que atitude tomar, mas por fim acabam, sem saber por que, seguindo os selvagens, integrando-se naquele rebanho amedrontado. Em seguida se vêem caçados e capturados em meio aos outros por uma estranha espécie evoluída de gorilas. Da ironia dessa seqüência emerge uma crítica aguda à humanidade: ela força a reconhecer que apesar das diferenças todos os seres humanos são iguais, parte de um mesmo rebanho unido pelo destino comum na luta pela sobrevivência. E acentuando ainda mais a crítica há a presença dos gorilas perseguindo os humanos. Repetindo o que já foi dito acima: na ficção científica a humanidade não deve ser enxergada somente nos humanos, ela deve ser apreendida, com seus aspectos bons ou maus nos personagens estranhos e diferentes, neste caso os gorilas caçadores que surgem como metáfora para os que usam de uma maior força que possuem e de tecnologias mais avançadas para dominar ou exterminar outros grupos humanos mais fracos.
Já cativo, Taylor, encerrado em uma jaula como um animal, demonstra, com um acento agudo de humanismo, seu pessimismo e desilusão.

Taylor – Na Terra faz-se muito amor, mas não há amor, esse é o tipo de mundo que nós criamos.

Esta fala, ao expressar o reconhecimento do personagem em relação à falsidade das relações humanas, procura, ao escancarar a situação descrita, reformá-la, reformar o mundo onde na realidade o amor não existe, e que, por isso mesmo necessita muito do amor. No mundo ameaçado pela guerra é um apelo a este sentimento que nega todo mal, identificado com a guerra, presente no ser humano.
As próximas frases que colocaremos nessa discussão fazem parte fazem parte do diálogo final entre Taylor e o orangotango Dr. Zaius. Como já dissemos, de certa maneira, estes dois personagens se completam, então a conversa entre eles emerge como uma indagação interna da alma humana em busca de uma resposta que é ao mesmo tempo pessoal e universal.

Zaius – Se o homem era superior, por que ele não sobreviveu?

Taylor – Isso ainda não responde por que neste planeta o macaco evoluiu do homem. Deve haver uma resposta.

Zaius – Não procure Taylor, você pode não gostar do que vai encontrar.

A primeira frase colocada acima, traduzida para a realidade da Guerra Fria deveria ser algo como: O homem, o ser superior na Terra sobreviverá à ameaça de destruição total criada por ele mesmo? No filme o homem não foi capaz, e a indagação do Dr. Zaius feita a Taylor traduz a angústia da humanidade enquanto pairou a ameaça nuclear. A segunda frase citada acima ilustra a arrogância humana e sua dificuldade de aceitar que não é um ser exclusivo, que ao invés disso simplesmente faz parte da natureza do planeta. Para Taylor soa absurdo que, no estranho planeta, o macaco tenha evoluído do homem sem que haja um motivo especial para isso. A resposta de Dr. Zaius não resolve a questão, Taylor ainda vai buscar a resposta definitiva, mas a expressão em seu rosto é significativa, porém antes que tentemos entendê-la cabe aqui a palavra de Ferro:

A idéia de que um gesto poderia ser uma frase, ou um olhar um longo discurso é completamente insuportável: isso não significa que a imagem, as imagens sonoras, o grito dessa mocinha ou essa multidão amedrontada constituem a matéria de uma outra história que não é a História, uma contra-análise da sociedade? (FERRO, 1992, p. 86)

A expressão no rosto, no olhar de Taylor é de fato o longo discurso de que trata Ferro. Dr. Zaius o advertira para que não procurasse respostas, pois elas possivelmente lhe desagradariam, Taylor sabia que era verdade, é essa certeza, é esse discurso que está presente em seu olhar. Taylor é um homem, conhece o homem e sabe de todas as tendências destrutivas do homem, é um discurso de reconhecimento e medo de se reconhecer e se encontrar que emerge do olhar apreensivo de Taylor. Afinal o que ele encontra na última cena do filme é a confirmação de todas as acusações de Dr. Zaius sobre a beligerância humana, ao ver a Estátua da Liberdade meio soterrada Taylor se dá conta que está na Terra, uma Terra totalmente devastada que não lhe deixa dúvidas sobre o que aconteceu, pois ele sabia qual era a ameaça que pesava sobre ela estava antes de sua viajem. A força dessa cena e do filme reside no fato de que o que ocorrera na ficção ainda estava sob risco de acontecer na vida real, o que dava um tom sinistro a velha frase: a vida imita a arte.

FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992.
ROSSATTI, Renato. O planeta dos macacos: uma mensagem para a humanidade. Disponível em: http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/macacos.html. Acesso em 15/12/2009.
SALIBA, Elias Thomé. Coletânea lições de cinema. São Paulo, 1993.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Dicas de leitura do blog



Já ouvi dizer que não se deve ousar escrever um livro antes de ter lido outros mil. Como ainda não cheguei a essa marca me reservo a publicar nesse blog. Pensando nisso resolvi publicar aqui minha lista de preferidos para mostrar que ao menos como leitor vou caminhando...



Quem se interessar por algum destes entre em contato, ficarei feliz em dar mais detalhes, ou até minha opinião.



aleks_1979@hotmail.com





A ponte do rio Kwai – Pierre boulle


Guerra dos mundos - H. G. Wells
O caçador de andróides - Philip K. Dick
Um estranho numa terra estranha - Robert A. Heinlein
Parasitas da mente - Colin Wilson
Os invasores de corpos - Jack Finney
Um cântico para Leibowitz - Walter M. Miller Jr.
Solaris - Stanislaw Lem
O incrível congresso de futurologia - Stanislaw Lem
A ameaça da terra - Roberta A. Heinlein
Vampiros do Espaço - Colin Wilson
Adimirável mundo novo - Aldous Huxley
O planeta do macacos - Pierre Boulle
Revolta em 2100 - Robert A. Heinlein
2001: uma odisséia no espaço - Arthur C. Clark
1984 - George Orwell
A revolução dos bichos - George Orwell
Regresso ao admirável mundo novo - Aldous Huxley
A ilha - Aldous Huxley
As portas da percepção - Aldous Huxley
Biografia de Carl Gustav Jung - Colin Wilson
Assim falou Zaratustra - Nietzsche
O Anticristo - Nietzsche
O Nascimento da tragédia - Nietzsche
Para além do bem e do mal - Nietzsche
Genealogia da moral - Nietzsche
Crepúsculo do ídolos - Nietzsche
A gaia ciência - Nietzsche
Humano demasiado humano - Nietzsche
Aurora - Nietzsche
O contrato social - Jean-Jacques Rousseau
Origem da desigualdade entre os homens - Jean-Jacques Rousseau
O príncipe - Maquiavel
A arte da guerra - Maquiavel
A vida dos doze Césares - Suetônio
J'accuse! Émile Zola e o Caso Dreyfus
A romana - Alberto Moravia
On the road/Pé na estrada - Jack Kerouac
Vagabundo iluminados - Jack Kerouac
O lobo da estepe - Hermann Hesse
Três histórias de aventuras - Jack London
A metamorfose - Franz Kafka
Lolita - Vladmir Nabokov
O machão - Harold Robbins
O contador de histórias - Harold Robbins
79 park avenue - Harold Robbins
Stiletto - Harold Robbins
Os insaciáveis - Harold Robbins
Os sertões - Euclides da cunha
Inocência - Visconde de Taunay
Anna Karenina - Leon Tolstoi
A confissão de um filho do século - Alfred de Musset
Werther - Goethe
Eugênia Grandet - Balzac
O coronel Chabert - Balzac
A dama das Camélias - Alexandre Dumas Filho


Os três mosqueteiros - Alexandre Dumas
O conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
O vermelho e o negro - Stendhal
O morro dos ventos uivantes - Émille Brönte
Novelas exemplares - Miguel de Cervantes
Biografia de Orson Welles
A gente não brinca com amor, e outras peças - Alfred de Musset
O santo inquérito - dias Gomes
O pagador de promessas - Dias Gomes
Prometeu acorrentado - Ésquilo
Os persas - Ésquilo
Fausto - Goethe
Um bonde chamado desejo - Tenesse Williams
A morte do caixeiro viajante - Arthur Miller
Contos e crônicas - Nelson Rodrigues
Os sete gatinhos - Nelson Rodrigues
Álbum de família - Nelson Rodrigues
Boca de ouro - Nelson Rodrigues
Perdoa-me por me traíres - Nelson Rodrigues
Beijo no asfalto - Nelson Rodrigues
A mulher sem pecado - Nelson Rodrigues
Vestido de noiva - Nelson Rodrigues
Valsa n 6 - Nelson Rodrigues
Viúva, porém honesta - Nelson Rodrigues
Anti-Nelson Rodrigues - Nelson Rodrigues
Núpcias de fogo - Nelson Rodrigues
O rei da vela - Oswald de Andrade
Guilherme Tell - Friedrich Schiller
Macário - Álvares de Azevedo
O Conde Lopo - Álvares de Azevedo
Lira dos vinte anos - Álvares de Azevedo
Abajur lilás - Plínio Marcos
Oração para um pé-de-chinelo - Plínio Marcos
Navalha na carne - Plínio Marcos
Dois perdidos numa noite suja - Plínio Marcos
Quando as máquinas param - Plínio Marcos
Marília de Dirceu - Toás Antonia Gonzaga
Poesias - Castro Alves
Poesias - Fagundes Varela
Poesias - Casimiro de Abreu
Poesias - Laurindo Rabelo
Poesias - Junqueira Freire

sábado, 25 de julho de 2009


O Feudalismo em O senhor da guerra




Por feudalismo podemos entender, de forma geral, a organização social, econômica, política, cultural e religiosa da Europa ocidental principalmente entre os séculos XI e XIII. No feudalismo a sociedade era extremamente estratificada, um de seus traços marcantes é a idéia da sociedade tripartida composta por oratores, belatores e laboratores - os que rezam, os que lutam, e os que trabalham, respectivamente. Dentro da camada dos belatores ocorriam as relações feudo-vassálicas, que eram contratos com regras previstas entre um suserano e seu vassalo em torno, principalmente, de terras. O dono da terra, proprietário ou senhor feudal, proveniente da camada belatores, controlava os laboratores, que tinham alguns direitos e muitos deveres para trabalhar e viver nas terras do senhor. Aos oratores cabia a intermediação dos homens, fossem eles senhores ou servos, com o deus cristão que via a todos como iguais e ignorava as divisões terrenas. A economia do período estava centrada nos feudos que eram propriedades auto-suficientes, que somente se relacionavam comercialmente quando havia excedentes de produção, nesses momentos ocorriam trocas, pois a economia monetária recuara muito desde a antiguidade. Nesse período o poder estava extremamente fragmentado fazendo com que aristocracias locais tomassem as prerrogativas do poder do estado, nesse cenário o senhor de terras gozava de poderes quase reais. O rei era distinguido, além de ser o maior proprietário, como primus inter pares, o primeiro entre os iguais. Em relação à cultura as principais características foram: a passagem do paganismo para o cristianismo, a tendência para as crenças supranaturais, a belicosidade e os relacionamentos baseados na contratualidade.


Dentro do tema do feudalismo o filme O senhor da guerra mostra-se fiel ao contexto da Idade Média Central, tamanha é a riqueza de referências às situações que predominavam na época, a começar pelo título. Da palavra senhor, podemos depreender dois significados comprobatórios, ambos eminentemente feudais. O primeiro remete imediatamente a um degrau superior da longa escadaria das relações feudo-vassálicas. Pelo título de senhor era obrigatoriamente tratado, pelo vassalo, aquele que a este concedia um feudo. Chrysagon, o protagonista da história, é tratado como senhor pelos seus, isso ocorre provavelmente porque esses guerreiros que o acompanham deviam ter para com ele laços de vassalagem, veremos mais a frente qual poderia ser a natureza desses laços. Por hora seria interessante destacar que o próprio Chrysagon é vassalo do Duque que, lhe concedeu um feudo, onde se desenrolará as aventuras do filme, portanto o Duque é, por sua vez, o senhor de Chrysagon, isso indica que a complexidade das relações de suserania e vassalagem se desenrolavam tanto para cima como para baixo na convivência intracamadas da faixa bellatores do ideal da sociedade tripartida. Outro significado para senhor pode ser subtraído da relação com a guerra, aponta para o caráter bélico do protagonista, quer demonstrá-lo como um guerreiro maior, experimentado e dominador das artes militares, isso nos leva, finalmente, para a palavra guerra presente no título. A guerra, segundo estudos, era uma atividade sempre presente durante a Idade Média Central. Invasões de povos nórdicos, pilhagens de feudos, seqüestros dos senhores com vistas ao seu resgate, senão freqüentes eram situações comuns do período. Certamente não eram tão destruidoras como as guerras de conquistas da antiguidade, mas demandavam a manutenção constante do aparato militar de cada feudo.


Chrysagon, seu irmão Draco, os guerreiros que o acompanham, assim como o Duque que lhe concedeu o feudo para qual se dirigem são normandos. Os normandos eram escandinavos que no século X instalaram-se na região norte da atual França. A partir do século XI eles já estavam cristianizados e, como bem podemos ver no filme, integrados nas práticas do feudalismo. É como senhor feudal que Chrysagon é enviado pelo Duque para a região costeira da Normandia, onde se localizavam as terras que este lhe concedeu. A região era pantanosa, e os guerreiros de Chrysagon alegaram que este merecia terras melhores. O que emerge dessa situação é que, provavelmente, o Duque não enviou seu grande guerreiro para cuidar de terras ou administrar um feudo, é certo que ele o escolheu, o veterano de vinte anos de batalhas, para defender a região das incursões de pilhagem Frísias que devastavam a costa da Normandia, o controle militar das regiões fronteiriças era primordial. É justamente com uma dessas incursões que Chrysagon se depara chegando ao seu feudo, ao ponto de ter tempo de tomar parte na batalha para repelir os saqueadores frisões.


Desta luta inicial podemos destacar o estilo de combate a cavalo, as armas, as armaduras constituídas com malhas de aço. Além disso, é importante notar que Chrysagon é o único que veio tomar posse de terras, dentre todos é o único senhor feudal, mas os demais guerreiros lutam ao seu lado, a ele obedecem como senhor, mas não são seus servos, certamente são seus vassalos e provavelmente recebem dele, para combater, determinado pagamento, isso nos lembra que, no feudalismo, terras não consistiam na única forma de benefício aos vassalos, havia diversas outras formas, dentre as quais destacaríamos para a situação um tipo de feudo de bolsa, perante o qual o vassalo ficava obrigado a prestar serviços militares ao suserano em troca de um pagamento em dinheiro. Ao fim da batalha uma cena emblemática, diante dos habitantes do feudo, provavelmente remanescentes dos povos celtas, montado a cavalo junto com seus guerreiros, Chrysagon indaga Marc, um dos servos presentes, sobre um machado que ele portava, o jovem responde-lhe que o tomou de um frisão durante a batalha. Imediatamente Chrysagon ordena que Marc lhe entregue a arma. Essa cena ilustra primeiramente a diferença entre servos e senhor, os primeiros aparecem vestidos grosseiramente e mantém uma postura submissa diante do segundo, eles também lutaram contra os frisões, mas suas armas na batalha foram foices e forcados, seus instrumentos de trabalho, afinal servos não têm direito a portar armas, são laboratores. O filme explicita isso no ato em que Chrysagon exige o machado de Marc, o senhor em trajes de batalha e pleno de superioridade montado a cavalo retira das mãos do servo a arma, um instrumento estranho a sua função, salvaguardando assim a ordem na sociedade tripartida. Um exemplo de conflito entre as ordens é uma discussão entre Draco e o padre, este procura demonstrar sua superioridade dizendo que saber ler ao que o guerreiro responde ser a ciência do diabo, esta cena mostra-nos que na época eram os clérigos os detentores do saber, mostra também uma tendência a desvalorizar este saber por parte daqueles que não o possuíam, no caso os bellatores, representados por Draco. Afinal a sociedade tripartida existia, era dividida entre oratores, bellatores e laboratores, mas às vezes o convívio entre esses três grupos se mostrava delicado e problemático. Outro fato do combate, que será importante no desenrolar da história, é a captura de um menino, neste momento os cristão ainda ignoram ser ele o filho do rei frisão que comandou o ataque ao feudo, quem fica com a posse do garoto é Volc, um pajem anão. Ele passa a conduzir a criança junto de si presa por uma coleira, quando os outros dizem para Volc largar o garoto ele rechaça a idéia e responde que enquanto o tiver em seu poder também será um senhor. Tal comportamento por parte de Volc mostra-nos que há nos homens a necessidade de mostrar-se importante de alguma forma, mas isso assim o é em todas as épocas, o caso específico mostra que, durante o feudalismo, era preciso dominar outros homens para que um homem se elevasse, para que fosse enfim um senhor.


Após a batalha apresenta-se a Chrysagon um monge, este elogia o povo local dizendo-lhe que já estavam a se esquecer da religião dos druidas. A presença do monge cristão naquela longínqua região da Normandia ressalta o projeto cristianizador da Igreja sobre a diversidade religiosa dos diversos povos de toda a Europa. Mas ao adentrar na torre que lhe servirá de morada, rústica fortificação, exemplo da arquitetura da época, Chrysagon depara-se com uma cena que demonstra como ali o cristianismo vacilava: nus, mortos sobre uma cama estão o guardião da torre e uma aldeã, esta com uma grinalda de flores não deixa dúvidas, era uma noiva que acabara de se casar, mas não era seu noivo o guardião, este se aproveitara de uma tradição, de um ritual de fertilidade dos aldeões, no qual, na noite de núpcias, a noiva deveria deitar-se com o senhor do lugar e não com seu marido. Numa demonstração de completa indignação Chrysagon condena veementemente o que vê e ordena que seja queimada a cama onde os dois estavam. A situação demonstra que longe sucumbir ao cristianismo, crenças dos povos pagãos eram adotadas por cristãos quando estas lhes eram convenientes. Após se alojarem Chrysagon e seus guerreiros partem para uma caçada, no bosque flagram um servo faminto tentando capturar um javali, o miserável é expulso acusado de roubar, pois o direito da caça, durante o feudalismo, era exclusivo do senhor, outro retrato fiel da obra. Após esta cena ocorre o encontro entre Bronwyn e Chrysagon, a relação entre os dois conduzirá o filme daí para frente. Crescerá entre eles um sentimento que foge aos padrões da época, o amor entre uma jovem pagã e o guerreiro cristão. A princípio o senhor feudal teme atribuindo a atração que sente a poderes mágicos, bruxarias lançadas pela jovem - julgamento fruto da intolerância e preconceito cristão diante das demais religiões. Mas o tempo passa, e a cada encontro o desejo de Chrysagon aumenta ainda mais, o que não passa despercebido de seu irmão Draco, este insiste para que Chrysagon tome Bronwyn para si. Draco sabe que seu irmão sente necessidade do amor de uma mulher, pois em uma discussão que tiveram ouviu-o desabafar dizendo que passara vinte anos vivendo com uma esposa fria - sua espada. Esta mágoa do senhor feudal reforça a informação que temos de que a época do feudalismo era de guerras constantes, que arrastavam consigo a existência dos homens. Essa mesma discussão, assim como outras entre os irmãos revelou também a inveja do irmão mais novo, Draco, em relação ao irmão mais velho, Chrysagon. O primeiro se mostra humilhado diante de todas as honras que o segundo recebia do Duque, mas o mais velho defende-se dizendo que suas honras eram advindas dos anos de batalha e rebate que enquanto lutava o irmão permanecia gozando dos prazeres da corte. Isso exemplifica não só a importância que a sociedade feudal dava ao primogênito, mas também as responsabilidades e ciúmes que tal hábito acarretava. Tudo era tão forte a ponto de destruir a relação fraternal entre os dois, percebemos inclusive que ao incentivar os desejos de Chrysagon para com Bronwyn Draco buscava perdê-lo aos olhos dos seus e do Duque, o que afinal consegue chegando até a receber do suserano o direito das terras que antes fora dado ao irmão, pois lhe relatara o descaminho deste no romance com a jovem pagã.


O desejo de Chrysagon o leva a cometer o mesmo pecado que ele condenara ao chegar ao lugar, acaba também por tomar Bronwyn para si após seu casamento com Marc, fato que reforça a fragilidade do cristianismo diante das paixões humanas e demonstra que ele não dominava totalmente a mentalidade dos homens. O senhor feudal interrompe o casamento dos servos, a cerimônia era pagã, nova prova de que apesar de aceitar, talvez por conveniência, a fé cristã aquele povo preservava sua religião. Reclamando para si o direito da primeira noite Chrysagon leva Bronwyn para o castelo com a promessa de devolvê-la na manhã. Isso não ocorre, surge um amor recíproco e a jovem permanece na torre. Tal ato provoca a união dos servos com os frisões. Os primeiros querem a noiva de volta, os segundos o seu príncipe. A reivindicação dos frisões revela uma prática comum no feudalismo, o seqüestro, a exigência de resgate em troca de pessoas importantes, no caso o jovem príncipe frisão, dessa forma Draco age segundo sua época e também o faz como vingança, pois o rei frisão também seqüestrara seu pai no passado. Um detalhe do conflito que se segue é que o pajem Volc está agora do lado dos servos, decerto cansado dos maus-tratos sofridos entre os guerreiros, o que ressalta a brutalidade e covardia desses homens. A união entre os servos e aqueles que os saqueavam, os frisões, aponta para a tendência, durante o feudalismo, de formação de alianças segundos as necessidades do momento, neste caso para combater um inimigo mais forte. Outro retrato do feudalismo são as técnicas de batalha para o assalto da torre assim como as para sua defesa. A consciência do perigo que os cristãos corriam faz Draco ir buscar a ajuda do Duque, outra mostra das tradições feudais, o senhor deveria sempre dar ajuda e proteção militar a seus vassalos, e é com a ajuda dele que Draco consegue levar os seus à vitória final.


Finalmente como a relação de Chrysagon e Bronwyn fugia aos padrões da época ela foi a ruína de ambos, a jovem foi banida de seu povo, o guerreiro perdeu seu benefício junto ao Duque, este desfecho exemplifica que no feudalismo o comportamento dos homens era regulado por um linha estreita que não deveria ser ultrapassada, pois além dos grandes prejuízos que tal atitude acarretava ao infrator havia um perigo ainda mais grave – o risco de abalar a ordem feudal, cuidadosamente construída por meio da complexidade das relações feudo-vassálicas e pela presença talvez não absoluta, mas marcante religião cristã.



O senhor da guerra/The war lord


Direção: Franklin Schaffner


Elenco: Charlton Heston, Richard Boone, Rosemary Forsyth, Maurice Evans...


Ano: 1965


País: Estados Unidos


Duração: 122 minutos