terça-feira, 30 de agosto de 2011

DESCONSTRUINDO A IMPARCIALIDADE DA MÍDIA



Na edição desta terça-feira, 30/08/2011 O Diário tentou mais uma vez desqualificar o Movimento de ocupação à reitoria da UEM.
Na capa junto à manchete sobre a rádio universitária está chapada uma foto de um carro apreendido pela fiscalização contra a poluição sonora. Clara tentativa de vincular o Movimento com tipos de abuso que nada tem a ver com o movimento que está cada vez mais forte. Os jovens estudantes que passaram o fim de semana tenazmente dormindo no chão da reitoria não são baladeiros, assim fosse não estariam mobilizadas em prol de mudanças na educação que favorecerão toda a sociedade.

Na página A2 o comentário sob o nome de Roberto Moraes demonstra preconceito contra os latino-americanos e ignorância em relação aos veículos de comunicação utilizados pelo Movimento. O sucesso das redes sociais é fruto de seu caráter democrático que possibilita a livre expressão espontânea, elas são locais onde todos têm voz para expressar suas opiniões.
Também na página A2, em relação ao artigo do reitor Julio Santiago Prates filho percebe-se o uso da burocracia paralisante do Estado para justificar a demora no atendimento das justas reivindicações estudantis.
Na página A4 a matéria é finalizada pela fala de um acadêmico de Direito que vê como ato de desocupados o Movimento. Não senhor o Movimento é uma Ocupação, assim com letra maiúscula, pois os estudantes estão exercitando a função que todos os cidadãos deveriam exercer permanentemente, a de pressionar os políticos em favor de medidas que melhorem a sociedade.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CINEMA E IMPERIALISMO




A visão idealizada que uma sociedade constrói de uma realidade que está distanciada é, de certa forma, reflexo de suas expectativas e necessidades. A idealização que surge dessas necessidades emerge de forma mais nítida principalmente na arte. Mas essa característica a princípio não deve ser vista como algo absolutamente negativo, pois certo distanciamento da realidade já aparece delineado na Poética de Aristóteles. Pesquisadores mostram na obra do Estagirita que a “verossimilhança é o critério fundamental do conceito aristotélico de mimese, responsável pela distinção entre a obra do poeta e a do historiador” (COSTA, 1992, p. 74). No entanto algumas vezes essa construção idealizada da realidade obedece a demandas extrínsecas à obra e que pertencem ao campo político/cultural. Nossa proposta nesse artigo é mostrar alguns motivos dessa transformação da realidade principalmente a partir de uma rápida análise de uma obra cinematográfica característica do cinema estadunidense.
Antes de prosseguir gostaria de tratar do sentido aqui adotado para a palavra idealizada. Ela identifica uma construção ficcional que atende as expectativas dos que estão inseridos no campo político/cultural criador de obras que estereotipam personagens e culturas diferentes. Os construtores de tais obras nelas expressam traços profundamente marcados pelo seu imperialismo cultural, os retratados em suas obras emergem como seres passíveis de serem colonizados. Situação que esse tipo de arte busca legitimar.
Nossa curiosidade em relação à questão levantada acima nasceu primeiramente da leitura da obra de Raymond Williams, O campo e a cidade. Na obra de Williams aparece a preocupação em relação a uma visão do campo que fica na maioria das vezes restrita ao ambiente da casa senhorial, onde proprietários da velha aristocracia são sempre protagonistas lutando pelo amor em meio a problemas decorrentes da decadência de sua classe diante da ascensão da classe burguesa. Nesses romances é negligenciado o ambiente laboral do agricultor, bem como as tensões decorrentes das relações entre os trabalhadores e os patrões. Em romances e poemas do século XIX Williams mostra que neles a visão do campo é o lugar da tranqüilidade em face à agitação da vida nas cidades industriais da Inglaterra. Mas o campo que aparece nessas obras incomoda o autor, segundo ele a imagem do campo na literatura inglesa do século XIX estava perpassada por uma

visão e uma observação cortante, definidora e observada das pessoas e eventos que, embora voltada para objetos rurais, na verdade, enquanto perspectiva e tom, pertence a um outro mundo social: a linguagem do observador da classe média (WILLIAMS, 1989, p. 342).

Em outra passagem de O campo e a cidade Williams mostra qual era a imagem do homem do campo feita pelo observador da classe média na qual a

observação autêntica é sobrepujada por uma fantasia subintelectual – um trabalhador transforma-se num velho imaginário e, em seguida, numa figura onírica em que o trabalho rural e as revoltas rurais, as guerras estrangeiras e as guerras dinásticas intestinas, a história, a lenda e a literatura se misturam de modo indiscriminado, num gesto emocional único (WILLIAMS, 1989, p. 347).

Em outro trecho o autor nos dá mais elementos dessa transformação, agora relativa ao ambiente rural: “assim, a questão não é apenas a falsificação da realidade de uma terra e de sua gente: todo um mundo rural inglês, tradicional, que ainda sobrevivia, foi coberto de garranchos, a ponto de quase desaparecer” (WILLIAMS, 1989, p. 348).
Essa questão levantada por Williams, embora tenha nos aguçado a curiosidade nos pareceu inofensiva, afinal tratava-se de um problema da literatura inglesa. Porém, ao transportar seus exemplos para nossa realidade literária e cultural percebemos que aqui também tínhamos essa transformação que desfigurava a realidade do campo e de seus habitantes. Os prejuízos culturais causados aqui por esse tipo de visão certamente são semelhantes aos ingleses, ao deturpar a realidade do campo ao gosto da visão da classe média urbana o verdadeiro homem do campo, como suas lutas e contradições ficaram isolados de nossa realidade, ocupando também em nossa cultura um lugar confuso em meio à idealização do campo como refúgio e de seus habitantes como curiosos seres exóticos.
Posteriormente uma nova leitura nos levou a perceber que a questão da idealização da realidade não estava restrita à dualidade campo/cidade. Ela estava presente também em um contexto mundial e se fazia presente na relação ocidente/oriente ou países desenvolvidos/subdesenvolvidos. Mas aqui a transformação da realidade já não era mais fruto de conceitos inconscientemente internalizados pelos próprios autores provenientes da classe média, tratava-se de preconceitos que os autores buscavam, de forma consciente, internalizar na mentalidade de seus espectadores. No tipo de arte com essa função, instrumento do imperialismo, aparece à necessidade de impor a primazia cultural dos colonizadores sobre os colonizados, nela é retratada de forma explícita a idealização do ocidental civilizado em face do oriental primitivo. A nova leitura de que falo trata-se de Cultura e imperialismo de Edward Said, e o que foi dito acima embasa-se diretamente nas palavras desse autor que diz:

Uma nova geração de críticos e estudiosos – filhos da descolonização em alguns casos, beneficiários (como minorias sexuais, religiosas e raciais) de avanços nos direitos humanos em seus países – tem visto nesses grandes textos da literatura ocidental um sólido interesse pelo que era considerado um mundo inferior, povoado com gente inferior, de cor, apresentado como se estivesse aberta a intervenção de outros tantos Robinson Crusoé (SAID, 1995, p. 17).

Said fala dos filhos da descolonização, pois as potências européias já haviam deixado os países vítimas de seu imperialismo, mas ele lembra que a dominação embora tenha se afastado de modo mais palpável na forma de presença militar, permanece ainda de outra forma. O autor diz:

Em nossa época, o colonialismo direto se extinguiu em boa medida; o imperialismo, como veremos, sobrevive onde sempre existiu, numa espécie de esfera cultural geral, bem como em determinadas práticas políticas, ideológicas, econômicas e sociais (SAID, 1995, p. 40).

Na nossa época, ou seja, o século XX e começo do século XXI, o cinema ocupa a primazia como produção artística de maior penetração entre as massas. É nele que devemos buscar a presença permanente do imperialismo cultural do ocidente. Esse duplo recorte que se nos apresenta – cinema e nossa época – leva-nos irremediavelmente e intencionalmente aos Estados Unidos, país que desde o século XIX assumiu uma postura imperialista, acentuada após a descolonização britânica e francesa em meados do século XX (SAID, 1995), e que possui sua expressão cultural atrelada à poderosa indústria cultural de Hollywood. Então, como nos propomos no início do texto utilizaremos um filme norte americano para verificarmos nele a presença do imperialismo cultural. Nossa escolha recaiu sobre Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom), embora seja uma produção relativamente antiga, sua produção é de 1984, trata-se de um filme de grande sucesso e que por isso deve ter permanecido na memória mesmo dos que dele apenas ouviram falar. Dirigido e produzido pelos famosos Steven Spielberg e George Lucas o filme é uma aventura que mistura fantasia e realidade no qual o protagonista, um singular arqueólogo, interpretado pelo mundialmente conhecido Harrison Ford, tem como missão recuperar pedras mágicas e libertar crianças escravizadas.
A história se passa em 1935 e inicia-se em Shangai, China, mas a maior parte do enredo desenrola-se no interior da Índia. O caráter internacional do enredo já abre a possibilidade do encontro de culturas, e como veremos a imagem do herói – Jones – será sempre mostrada como superior ao passo que os demais personagens não ocidentais surgirão como estereótipos que responderão à necessidade norte americana de enxergar esse mundo, que não é o seu, de maneira exótica, para analisá-lo e julgá-lo (SAID, 1995).
Na primeira cena já aparece o exotismo oriental de forma vibrante, porém ele apresenta-se como pano de fundo para que nele brilhe a cantora americana. Quando Jones entra em cena, sozinho, destemido, é para confrontar-se com o chefão chinês cercado de seus capangas. Este arranjo coloca o herói como corajoso enquanto que seus oponentes se acovardam diante dele, além disso, os chineses aparecem grotescamente estereotipados e corruptos, pois tentam quebrar um acordo que tinham com o herói a quem tentam matar envenenado. Após desvencilhar da enrascada Jones escapa com a ajuda de um garotinho oriental que usa um sugestivo boné de beisebol do time dos Yankees, o adereço demonstra uma reverência do garoto a um esporte quase que exclusivamente norte americano, isso leva a uma reverência ao próprio do herói. Nesse sentido podemos levar em conta a atitude do menino para com Jones durante todo o filme, atitude esta que evoca a idéia de Robinson Crusoé e do índio Sexta-feira.
Na perseguição pela cidade os moradores, com seus afazeres e comércio cotidianos são mais uma vez o mero pano de fundo para a aventura do herói ocidental, mas além de pano de fundo todo o movimento da cidade torna-se empecilho para a fuga de Jones. A realidade deles não tem sentido, senão o de atrapalhar o herói. Mais adiante os fugitivos tomam um avião, este está cheio de galinhas, cena característica que busca mostrar a outra cultura como ridiculamente atrasada. Após a queda do avião os aventureiros se deparam com um nativo hindu que é apresentado de forma esquisita e assustadora. Na aldeia Jones, o menino Short e a garota Willie são reverenciados como enviados dos deuses. Os nativos pedem a ajuda de Jones para que este recupere pedras sagradas que protegem e dão prosperidade à aldeia. Jones não leva a sério o pedido e tranqüiliza o amedrontado Short dizendo que aquela não passava de uma história assombrada. Tal situação leva o espectador a generalizar a cena e ver toda a cultura religiosa diferente como uma história assombrada, afinal a cultura oriental é sempre apresentada ao ocidente de forma exótica, nela é sempre explorada de forma exacerbada tudo que é diferente.
Quando Jones conta a Willie a forma como conheceu o menino Short ressalta que ele ficou órfão após um bombardeio japonês sobre Shangai. A história conta as atrocidades cometidas pelos japoneses contra os chineses, mas o cinema norte americano gosta de ressaltar os crimes de outros países, porém procura esconder o bombardeio nuclear sobre Hiroshima e Nagasaki, alvos não militares estrategicamente utilizados para testes de seu poderio atômico, testes esses que custaram a vida de centenas de milhares de civis, ceifadas covardemente. Jones lembra ainda que Short tentara roubá-lo. Pequenos ladrões de turistas, essa é a imagem que o cinema americano criou para as crianças pobres dos países exóticos.
Mais adiante os três protagonistas escoltados por nativos próximo ao palácio onde estariam as pedras sagradas se deparam com um totem amaldiçoado diante do qual os nativos fogem apavorados, a sua covardia contrasta com a coragem de Jones que segue em frente.

No ocidente, as representações do mundo árabe desde a guerra de 1967 têm se mostrado toscas, reducionistas, grosseiramente racistas, conforme foi constatado e verificado por inúmeros estudos críticos na Europa e nos Estados Unidos. Mesmo assim, prosseguem caudalosamente os filmes e programas de televisão mostrando os árabes como “Cameleiros” frouxos, terroristas e xeques obscenamente ricos (SAID, 1995, p. 70-71).

Said fala dos árabes, mas o estereótipo é o mesmo para todos aqueles habitantes orientais ou latinos que figuram nos filmes americanos. Os exemplos negativos para os hindus continuam: o marajá é um menino rico e esnobe, uma forma de desacreditar os governos orientais que viveriam de maneira extravagante enquanto o povo passa fome, a culpa toda seria deles e de sua má administração? Os prejuízos causados pelo domínio imperialista do ocidente é tranquilamente ignorado. No banquete do palácio os estranhos alimentos servidos e a gula grotesca dos ricos convivas que os devoram reforçam o estereótipo presente em outros filmes. Mais interessante neste banquete é a figura de um militar britânico, sua presença é de arrogante superioridade, um postura civilizada, em relação ao dissimulado político hindu. O militar britânico reaparecerá inclusive no final do filme como salvador, comandando um regimento hindu que vence os fanáticos que perseguiam Jones, Willie e Short, tal cena ilustra o que autor de Cultura e imperialismo nos diz: “Somos os melhores, estamos destinados a liderar, representamos a liberdade e a ordem, e assim por diante. Nenhum americano ficou imune a essa estrutura de sentimentos” (SAID, 1995, p. 18).
É porque nenhum norte americano ficou imune a essa estrutura de pensamentos que ela é incansavelmente repetida na indústria cinematográfica de Hollywood. No filme os exemplos não se esgotam nesses que apresentamos, porém são suficientes para mostrar que a representação dos povos e países periféricos é direcionada a criar a ilusão de superioridade cultural do ocidente em face ao atraso oriental. Esse tipo de filme tem para nós duas repercussões importantes, uma entre os espectadores norte americanos, outra entre os espectadores dos países periféricos. Entre os norte americanos a representação de superioridade cultural vai ao encontro da visão que eles tem de si mesmos - cidadãos da nação hegemônica da cena mundial identificados nos heróis da fantasia propagando seus valores pelo mundo não civilizado, inculto e corrupto. Nos países periféricos o cinema hollywoodiano trabalha para impor seus valores sobre os espectadores para aí cimentar a idéia dos Estados Unidos como país da liberdade e guia da humanidade, idéia que facilita o controle político e econômico norte americano sobre as demais nações.
Tudo o que se tentou apresentar neste texto baseia-se sem dúvida na idéia de um dos autores que nos deu suporte: “o poder de narrar, ou de impedir que se formem e surjam outras narrativas, é muito importante para a cultura e o imperialismo, e constitui uma das principais conexões entre ambos” (SAID, 1995, p.13). Não é preciso dizer muito para completar esse pensamento, basta colocá-lo ao lado da argumentação aqui proposta para perceber que é esta função narrativa que o cinema norte americano exerce, narra seu ponto de vista ao mesmo tempo em que o impõe aos demais, impedindo a formação de outras narrativas que pudessem entrar em choque com seus interesses.
Gostaria de reforçar aqui a aproximação proposta entre Williams e Said fundamentada na nossa idéia da idealização da realidade na arte - no cinema no caso específico deste texto. Ambos os autores dão suporte para que percebamos que a literatura, a arte e o cinema ao mesmo tempo em que deturpam a realidade nos apresentam outra na qual está impressa preconceitos e interesses sociais, políticos e culturais. Cientes desse mecanismo devemos aguçar nosso olhar crítico para percebermos nos romances e especialmente nos filmes a presença implícita do imperialismo cultural que visa impor valores e visões que atendem somente os interesses de grupos ou países que buscam estender seu domínio ao custo do extermínio e ridicularização das demais sociedades e suas culturas.

FONTE
Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom).
Estados Unidos, 1984.
Dirigido por Steven Spielberg.

BIBLIOGRAFIA
COSTA, Lígia Militz da. A poética de Aristóteles: mimese e verossimilhança. São Paulo: Ática, 1992.
SAID, Edward. Cultura e imperialismo. São Paulo: Cia das Letras, 1995.
WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade na história e na literatura. São Paulo Cia das Letras, 1989.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Palavras perdidas

Agora que você está lendo este blog o título desta postagem perdeu o sentido, porém minha missão está sendo cumprida, mais uma vez e mais um pouco estou compartilhando contigo meu conhecimento.

domingo, 21 de março de 2010

Interpretação literal




Quando as portas da percepção forem abertas, o homem verá as coisas como realmente são: infinitas!

Foi inspirados nessas palavras do poeta William Blake que a banda californiana The Doors escolheu seu nome. Muito apropriado devido ao clima místico, de descobertas e de libertação dos anos sessenta, mas os produtores do programa de Ed Sullivan parecem não ter interpretado bem significado do nome do grupo de rock, pois decoraram o palco com diversas portas. Se atentassem melhor para a idéia de Blake, e das letras da banda sacariam que seria mais apropriado colocar apenas batentes, representando as portas da percepção abertas, assim como o poeta inglês escreveu em seus versos. Concordam!?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Uma noite de verão, um momento na noite dos tempos...





Era uma noite quente de verão, em uma festa eu estava com uma garota maravilhosa. Ela dançava linda para mim, me sorria e me beijava sem parar, Me fez lembrar de um poema de Catulo. Os versos do poeta romano que não saíam de minha cabeça enquanto ela me beijava eram estes:

(...)
Os sóis podem morrer e renascer,
Nós, uma vez que morre a breve luz,
Uma só noite eterna dormiremos.
Me dá mil beijos, em seguida, cem,
(...)

A efemeridade da vida diante da eternidade dos tempos, ou ainda, a efemeridade de um momento diante da duração de uma vida é algo que sempre me deixa absorto. Talvez eu e ela nos esqueçamos desse momento, talvez o manteremos em nossa memória até nosso fim, não sei. Mas mesmo quando a noite perpétua encobrir nossa existência e a breve luz daqueles beijos se apagarem na eternidade dos tempos eles terão existido, mesmo que tenham sido esquecidos...
Pense nisso quando tiver uns lábios doces e quentes colados aos teus assim como tive os dela aos meus.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

NÓS SOMOS BONZINHOS, ELES SÃO MALVADOS




Faz algum tempo que queria escrever algumas constatações sobre o filme Pearl Harbor, aquele com uma história de amor marcada pelo ataque japonês contra uma base americano no Havaí durante a Segunda Guerra. Bom, vou fazer isso agora.
Na verdade há muitos aspectos a abordar, mas ficarei apenas em dois daqueles que fundamentam o título deste pequeno artigo. Nesse sentido uma das cenas que chama a atenção para a dicotomia bonzinhos/malvados, no caso do filme americanos/japoneses é aquela onde uma garotinha corre e brinca usando asas de borboletas momentos antes do início do ataque. Neste caso o diretor forçou a barra usando a imagem angelical e inocente da criança para acentuar a brutalidade do bombardeio nipônico. Apesar da tentativa, não dá para esquecer que Pearl Harbor era uma base militar e que foram os americanos que lançaram bombas atômicas sobre duas cidades indefesas quando a sorte da guerra já estava decidida.
Outro ponto mais sutil emerge de um romance paralelo ao principal. O que chama atenção neste caso é que o casal não é nada comum: o cara mais estranho do grupo de pilotos, gago se não me engano, o perfeito estereótipo do perdedor tão explorado no cinema norte-americano conquista não se sabe como a mais bela do grupo de enfermeiras, enfim uma loira muito linda. O que se quer mostrar aí é que no país das maravilhas da América do Norte até o maior idiota pode conseguir a garota perfeita, mas no filme os malvados japoneses, com seu ataque covarde, destroem esse castelo de sonhos, pois sob o bombardeio a linda enfermeira morre deixando seu quase feliz namorado só.
O interessante é a indagação que fica: até que ponto a ideologia pregada no filme, a da dicotomia bonzinhos/malvados, reflete o pensamento do americano a respeito de si mesmo ou se na verdade reflete um anseio por essa imagem fornecida pelo filme para deixá-lo de bem consigo mesmo?
Na próxima falarei sobre o triângulo amoroso do filme, uma observação divertida, aguardem...

domingo, 20 de dezembro de 2009

O temor da Guerra Fria em O planeta dos macacos

O filme em questão, por meio de sua metáfora ficcional, apresenta-se como uma crítica aguda à corrida armamentista que dominou praticamente toda a segunda metade do século XX, e que colocou o planeta a poucos passos de uma hecatombe nuclear global. Os principais agentes desta corrida foram a extinta União Soviética e os Estados Unidos. Mas o filme não aborda literalmente este momento de tensão bipolar que quase nos levou a destruição completa, ele aborda na verdade um hipotético momento futuro após um holocausto atômico, que a realidade tornara extremamente possível e real. Neste ponto precisamos abrir parênteses: dissemos acima que O planeta dos macacos faz uma crítica à corrida armamentista, no entanto temos plena consciência de que a obra traz, além disso, em seu conjunto uma grande variedade de metáforas criticando diversos aspectos do comportamento humano da época em que foi produzido e por que não de todos os tempos? Mas se vamos abordar neste artigo apenas uma de suas vertentes críticas, aquela dirigida contra a ameaça nuclear que o mundo sofreu, é devido ao caráter extremamente breve deste trabalho.
O nosso recorte tem uma razão, ele foi feito para acompanhar o direcionamento que os próprios produtores do filme estabeleceram quando adaptaram o romance La planète des singes do escritor francês Pierre Boulle para o cinema. A história do livro conta sobre uma equipe de exploradores que sai da Terra e encontra, orbitando a distante estrela Betelgeuse, um estranho planeta onde uma civilização composta de chimpanzés, orangotangos e gorilas dispõe, para pesquisas científicas ou como animais de estimação, de uma raça primitiva de seres humanos. Este enredo na verdade é o mesmo do filme de Franklin J. Schaffner, o que vai diferenciar a versão cinematográfica da literária é o desfecho apresentado. Nas últimas páginas do livro o leitor descobre que naquele planeta o homem outrora fora a raça dominante, época na qual cabiam aos macacos os papéis que no momento da narrativa os humanos desempenhavam, depois desta revelação descobre-se que aquela humanidade perdeu sua posição devido a um lento, porém contínuo, processo de indolência e estagnação que a levou inevitavelmente a ser subjugada pela população símia local. No filme este processo ainda é semelhante, porém sua causa difere, foi desencadeado por uma devastação extrema provocada por sua vez por uma guerra nuclear, somando-se a isso o dado mais alarmante é a descoberta de que aquele estranho planeta é na verdade a Terra, fato revelado quando o personagem Taylor depara-se com as ruínas semi-soterradas da Estátua da Liberdade, uma das cenas de maior impacto de toda a história do cinema. Enfim, é a esta diferença que se deve nosso recorte.
Assim como a cena final, o filme tem muitas outras impactantes, tais como humanos sendo caçados como animais selvagens pelos macacos e aprisionados em jaulas. Mas deixaremos as cenas de lado, mostraremos neste artigo a tensão da Guerra Fria transposta da realidade para a película por meio de algumas das frases de maior impacto do filme. Para isso destacamos onze frases, das quais nove são proferidas pelo personagem Taylor, interpretado pelo famoso ator Charlton Heston, que já havia trabalhado em grandes filmes de Hollywood tais como O senhor da guerra, Os dez mandamentos e Ben-Hur, com este último inclusive, ganhara o Oscar de melhor ator. A posição que Heston ocupava em Hollywood e por extensão na memória dos espectadores de cinema explica sua escolha como protagonista aumentado a empatia com o público ao ouvi-lo proferindo suas falas que expressavam esperança, angústia, dúvida, resignação, otimismo e tristeza. Neste ponto em que ressaltamos a importância da escolha do ator para desempenhar o papel principal do filme levamos em conta que para

Desvelar o processo de construção fílmica implica uma complexa análise de dados que vão desde a produção industrial do filme – em toda aquela série de dados cinematográficos essenciais para subsidiar a compreensão dos conteúdos latentes do filme -, até a compreensão de como a história (isto é, os dados históricos, com todo o seu rol de significações) é construída no interior da narrativa fílmica. (SALIBA, 1993, p. 95).

As outras duas frases, das escolhidas, que não foram proferidas pelo personagem Taylor o são pelo personagem Dr. Zaius, interpretado pelo ator Maurice Evans. Dr. Zaius é um orangotango, o Ministro da Ciência e Defensor da Fé, o antagonista de Taylor, que o ironiza apontando a contradição entre suas ocupações. De nossa parte vamos mostrar a contradição do antagonismo entre Taylor e Dr. Zaius, é que ambos os personagens são duas faces da mesma moeda. Parece-nos que na ficção científica a humanidade não deve ser vista apenas nos personagens humanos, ela deve ser enxergada com seus aspectos bons ou maus nos personagens estranhos e diferentes, no nosso caso Dr. Zaius, representante do dogmatismo, repressor que, exatamente por causa dessas características teme o desconhecido e procura com seus atos proteger-se dele. Taylor, devido à situação em que se vê aprisionado por uma civilização estranha, coloca ao lado de seu sarcasmo uma busca desesperada por uma resposta para sua condição. Como dissemos, duas faces da mesma moeda, o medo e o fascínio pelo desconhecido presente em todos nós diluído e divido entre Taylor e Dr. Zaius. Mas para ilustrar o que foi dito o melhor é fazer o que propomos: usar as falas para confirmar as características dos personagens principais e demonstrar como através delas transparece a preocupação e o medo da catástrofe nuclear que ameaçava a humanidade.
Ainda dentro da nave espacial o personagem Taylor, solitário enquanto os demais tripulantes estão imersos em um sono profundo dentro de câmaras individuais, profere três frases:
Taylor - Você que me ouve agora, é de uma geração diferente, espero que de uma melhor.

Taylor - Sinto-me sozinho.

Taylor - Será que o homem, esta maravilha do universo, este glorioso paradoxo que me mandou às estrelas ainda faz guerra com os irmãos?

Taylor, no momento em que profere as frases citadas acima, está fazendo uma espécie de relatório, não para aqueles que o enviaram na atual missão, pois a temporalidade do filme é dinamizada com o auxílio da Teoria da Relatividade de Einstein, segundo a qual o tempo passa mais lento para quem viaja em velocidades próximas a da luz, no caso Taylor e os demais tripulantes da nave, e transcorre normalmente para quem permanece parado na Terra, no caso aqueles que enviaram Taylor e os outros em sua viajem. Pelas contas do computador a viajem durara até então alguns meses enquanto que pelo tempo da terra ele estaria no espaço já a centenas de anos, de maneira que aqueles homens que o enviaram na missão já haviam desaparecido. Portanto o relatório gravado por Taylor fatalmente seria destinado à outra geração. E é nessa geração que Taylor deposita suas esperanças, pois em sua frase está a pressuposição de que a geração da Terra que ele deixou quando se lançou em sua viajem não era a ideal. Nesse ponto a crítica à sociedade da época em que o filme foi produzido fica evidente e clara, pois na década de sessenta Estados Unidos e União Soviética estavam envolvidos na corrida espacial e a viajem do astronauta Taylor recria exatamente a mesma situação, o que direciona ainda mais crítica para a disputa entre esses dois países que polarizavam a Guerra Fria.
A segunda frase citada é mais introspectiva, Taylor está arrebatado pela imensidão do espaço e a sensação de solidão o oprime. Essa situação deve ser enxergada como uma metáfora onde a imensidade do espaço significa na verdade a imensidão profunda do interior humano onde cada um mergulha em busca de resposta para sua existência, onde cada um percebe que dentro de si se está sempre só. Está atitude introspectiva é sempre buscada nos momentos de crise pessoal e social, foi o que aconteceu durante a Guerra Fria, quando pairava a ameaça nuclear, tanto a existência social quanto pessoal estavam em perigo e diante disso o indivíduo se via impotente. Nessa situação a angústia era muito grande, e como o ser humano nem sempre é capaz de dividir seus medos se sentimentos com seus semelhantes sua angústia é multiplicada na solidão em que ele ao mesmo tempo se vê e se coloca.
Na terceira frase é expressa a ironia da situação do homem, capaz ou mesmo tempo de maravilhas e de misérias. Há nela também um apelo para que se enxergue a humanidade de uma maneira universal, isso fica claro com a escolha da palavra irmãos, que chama a atenção para o fato de que todos fazem parte de uma mesma “família”, o que dá ainda mais força à idéia de igualdade unindo a ela a idéia de fraternidade. Há também o desafio à humanidade, pois o ainda revela a idéia de atraso atribuído à guerra, para que ela melhore, evolua em direção a um estágio superior.
A seqüência seguinte do filme mostra a queda da nave de Taylor em um planeta desconhecido, a cena marca um deslocamento do tom de esperança presente nas frases que analisamos acima para uma atitude de resignação que apesar disso encerra uma responsabilidade, uma necessidade de melhora que nesse sentido busca ainda manter a esperança na humanidade, vejamos:

Taylor - Ok, estamos aqui para ficar.

Taylor - Só há uma realidade, nós estamos aqui e agora, você aceite isso ou é melhor estar morto.

A primeira frase citada foi dita por Taylor enquanto ele e seus companheiros viam sua nave afundar levando consigo a esperança de retorno para o mundo de onde vieram. Essa situação assinala o paradoxo temporal e espacial do filme, pois o estranho planeta em que caíram, embora ainda não saibam, é a Terra em uma época diferente. E quando Taylor deixa claro, diante a impossibilidade de retorno, que deveriam ali ficar, ele traz em suas palavras uma idéia de queda, de rebaixamento do ideal para o real. O ideal que está presente na imaginação de todos nós na forma da esperança dá lugar bruscamente à fria realidade da qual se busca fugir e se defender, mas a qual todos, ao mesmo tempo, devem aceitar resignadamente. Mas se a realidade é para ser aceita não é simplesmente para ser mantida, nesse sentido a frase de Taylor também impõe a necessidade de melhorar o mundo em que fatalmente estamos condicionados a viver. A segunda frase reforça ainda o que foi dito acima, e o faz melhor quando nela é oferecida a opção sinistra da morte em lugar da aceitação da realidade. As duas frases calham bem com a argumentação que propomos, pois esse chamado para a realidade em detrimento do ideal significa, na vida real, que a humanidade deveria enxergar de fato a situação em que estava e, enxergando-a, tomar consciência da emergência de mudar a perigosa situação em que se encontravam.
A próxima frase que escolhemos aponta para a descrença no ser humano, para sua fraqueza e para o absurdo de sua possível existência exclusiva no universo:

Taylor- Eu acredito que em algum lugar do universo haja alguém melhor que o homem, tem que haver.

A frase demonstra agora a total desilusão de Taylor para com o gênero humano, entretanto ele, de certa forma, ainda tem esperança de encontrar algo melhor, mas o homem já está descartado de suas expectativas. Esse posicionamento quase místico de Taylor também aponta para a realidade, exatamente para a realidade de um mundo em crise, onde as possibilidades materiais se esgotam e o homem apela para a busca do desconhecido que seria capaz de salvar e de redimir os erros humanos. Mas esse momento não passa de um arroubo que logo se dissipa, sentimos isso nas próximas palavras destacadas de Taylor:

Taylor - Veja pelo lado bom, se isto é o melhor que eles têm por aqui, em seis meses estaremos governando o planeta.

Isso é dito por Taylor aos seus companheiros quando se deparam com um grupo de humanos primitivos do estranho planeta. A atitude que emerge de seu discurso nesse momento é de pura arrogância, que pode ser comparada a dos europeus frente aos nativos da América ou da África, mas além dessa possibilidade desponta também a ânsia de poder presente em cada ser humano, e por extensão em cada nação, sobretudo naquelas em conflito. Ânsia de poder e de domínio sobre o inimigo que a despeito disso é igual. E é baseado nessa igualdade que a cena seguinte terá maior impacto: de repente os humanos selvagens pressentem perigo no ar, ouvem um grito aterrorizante na selva e se põem a fugir enlouquecidos, Taylor e seus companheiros estupefatos a princípio não sabem que atitude tomar, mas por fim acabam, sem saber por que, seguindo os selvagens, integrando-se naquele rebanho amedrontado. Em seguida se vêem caçados e capturados em meio aos outros por uma estranha espécie evoluída de gorilas. Da ironia dessa seqüência emerge uma crítica aguda à humanidade: ela força a reconhecer que apesar das diferenças todos os seres humanos são iguais, parte de um mesmo rebanho unido pelo destino comum na luta pela sobrevivência. E acentuando ainda mais a crítica há a presença dos gorilas perseguindo os humanos. Repetindo o que já foi dito acima: na ficção científica a humanidade não deve ser enxergada somente nos humanos, ela deve ser apreendida, com seus aspectos bons ou maus nos personagens estranhos e diferentes, neste caso os gorilas caçadores que surgem como metáfora para os que usam de uma maior força que possuem e de tecnologias mais avançadas para dominar ou exterminar outros grupos humanos mais fracos.
Já cativo, Taylor, encerrado em uma jaula como um animal, demonstra, com um acento agudo de humanismo, seu pessimismo e desilusão.

Taylor – Na Terra faz-se muito amor, mas não há amor, esse é o tipo de mundo que nós criamos.

Esta fala, ao expressar o reconhecimento do personagem em relação à falsidade das relações humanas, procura, ao escancarar a situação descrita, reformá-la, reformar o mundo onde na realidade o amor não existe, e que, por isso mesmo necessita muito do amor. No mundo ameaçado pela guerra é um apelo a este sentimento que nega todo mal, identificado com a guerra, presente no ser humano.
As próximas frases que colocaremos nessa discussão fazem parte fazem parte do diálogo final entre Taylor e o orangotango Dr. Zaius. Como já dissemos, de certa maneira, estes dois personagens se completam, então a conversa entre eles emerge como uma indagação interna da alma humana em busca de uma resposta que é ao mesmo tempo pessoal e universal.

Zaius – Se o homem era superior, por que ele não sobreviveu?

Taylor – Isso ainda não responde por que neste planeta o macaco evoluiu do homem. Deve haver uma resposta.

Zaius – Não procure Taylor, você pode não gostar do que vai encontrar.

A primeira frase colocada acima, traduzida para a realidade da Guerra Fria deveria ser algo como: O homem, o ser superior na Terra sobreviverá à ameaça de destruição total criada por ele mesmo? No filme o homem não foi capaz, e a indagação do Dr. Zaius feita a Taylor traduz a angústia da humanidade enquanto pairou a ameaça nuclear. A segunda frase citada acima ilustra a arrogância humana e sua dificuldade de aceitar que não é um ser exclusivo, que ao invés disso simplesmente faz parte da natureza do planeta. Para Taylor soa absurdo que, no estranho planeta, o macaco tenha evoluído do homem sem que haja um motivo especial para isso. A resposta de Dr. Zaius não resolve a questão, Taylor ainda vai buscar a resposta definitiva, mas a expressão em seu rosto é significativa, porém antes que tentemos entendê-la cabe aqui a palavra de Ferro:

A idéia de que um gesto poderia ser uma frase, ou um olhar um longo discurso é completamente insuportável: isso não significa que a imagem, as imagens sonoras, o grito dessa mocinha ou essa multidão amedrontada constituem a matéria de uma outra história que não é a História, uma contra-análise da sociedade? (FERRO, 1992, p. 86)

A expressão no rosto, no olhar de Taylor é de fato o longo discurso de que trata Ferro. Dr. Zaius o advertira para que não procurasse respostas, pois elas possivelmente lhe desagradariam, Taylor sabia que era verdade, é essa certeza, é esse discurso que está presente em seu olhar. Taylor é um homem, conhece o homem e sabe de todas as tendências destrutivas do homem, é um discurso de reconhecimento e medo de se reconhecer e se encontrar que emerge do olhar apreensivo de Taylor. Afinal o que ele encontra na última cena do filme é a confirmação de todas as acusações de Dr. Zaius sobre a beligerância humana, ao ver a Estátua da Liberdade meio soterrada Taylor se dá conta que está na Terra, uma Terra totalmente devastada que não lhe deixa dúvidas sobre o que aconteceu, pois ele sabia qual era a ameaça que pesava sobre ela estava antes de sua viajem. A força dessa cena e do filme reside no fato de que o que ocorrera na ficção ainda estava sob risco de acontecer na vida real, o que dava um tom sinistro a velha frase: a vida imita a arte.

FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992.
ROSSATTI, Renato. O planeta dos macacos: uma mensagem para a humanidade. Disponível em: http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/macacos.html. Acesso em 15/12/2009.
SALIBA, Elias Thomé. Coletânea lições de cinema. São Paulo, 1993.